
Presidente da OAB-AC também participa da comissão.
A missão de políticos e empresários do Acre à China cumpriu ontem um de seus principais compromissos naquele país asiático: ver de perto o funcionamento de uma Zona de Processamento de Exportações (ZPE), mecanismo de incentivo à produção destinada à exportação que o Acre pretende instalar até julho deste ano. As ZPEs permitiram que a China ampliasse o seu desenvolvimento econômico e social ao ponto de transformá-la numa das quatro nações emergentes do mundo, ao lado de Brasil, Rússia e Índia.
Liderada pelo senador Tião Viana (PT-AC) e o vice-governador César Messias, além dos prefeitos Raimundo Angelim, de Rio Branco, e Leila Galvão, de Brasiléia, do deputado federal Gladson Cameli e do secretário Gilberto Siqueira, do Planejamento, a missão acreana esteve em Zhuhai, cidade costeira da China que conta com a experiência de uma ZPE, formada por um parque industrial que recebe incentivos e isenções fiscais para fabricar produtos destinados exclusivamente à exportação.
Segundo informou o senador Tião Viana, a renda per capita em Zhuhai se situa hoje na cada dos 10 mil dólares. Por conta do dinamismo econômico e do comércio gerado pela ZPE, a cidade do Sul da China também tem um Produto Interno Bruto (PIB) da ordem de 200 bilhões de dólares por ano. Zhuhai, de acordo com o senador, é considerada uma cidade ambiental e feliz da China.
Além dos políticos, participam da viagem à China dezenas de empresários acreanos interessados em participar da futura ZPE do estado, fabricando produtos para vender a esse gigante asiático através Rodovia Interoceânica, que vai ligar o Acre aos portos do Pacífico peruano e que será inaugurada até outubro pelos presidentes do Brasil e do Peru.
Essa rodovia formará uma rota que vai garantir uma economia de três mil milhas marítimas no trajeto América do Sul-Ásia e, por conseqüência, ao Brasil. Tradicionalmente, o transporte marítimo desde a China ocorre pelo Oceano Atlântico através do Porto de Santos (SP).
Tendo por objetivo geral o de conhecer o amplo poder de negócios e o desenvolvimento estratégico adotado pelo gigante asiático, incluído aí a fantástica experiência da ZPE na geração de empregos e no crescimento da renda, a missão acreana está criando grandes expectativas nos empresários. Eles já participaram da 107ª Feira de Cantão, considerada a maior feira do mundo, com milhares de expositores.
Ao falar da Feira de Cantão, o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Acre (Fieac) previu bons negócios para o empresariado do estado, pois hoje a China alia o preço baixo à qualidade de seus produtos. “É uma ótima notícia em um momento em que a economia do Brasil está aquecida e temos poucos fornecedores em algumas áreas. A China nos oferece a chance de viabilizarmos projetos dentro dos prazos e dos custos”, destacou Salomão.
O presidente da Fieac também elogiou a iniciativa dos políticos e do governo acreano de se juntarem ao empresariado em busca do fortalecimento da economia do estado. “Esta simbiose entre a iniciativa privada e o setor público é bastante particular no Acre e, neste sentido, estamos tendo grandes lições agora, ao visitarmos a China e Dubai, exemplos de sucesso e crescimento graças a alianças estreitas justamente entre estas duas esferas”, ressaltou o presidente da Fieac.
Países pactuam ampliação do intercâmbio comercial e tecnológico
A missão do Acre à China ocorreu simultaneamente às negociações realizadas na semana passada em Brasília entre os dirigentes dos dois países visando a ampliação do intercâmbio comercial, econômico e político entre eles.
O senador Tião Viana lembrou que o momento para a aproximação do Acre com a China não poderia ser melhor, pois os dois países, juntamente com Rússia e Índia, que formam o grupo Bric (Brasil, Rússia, China e Índia) discutiram exatamente a ampliação do comércio entre eles.
No encontro de Brasília ficou acordado que os bancos de desenvolvimento dos quatro países vão passar a atuar com o objetivo de aumentar a capacidade de financiamento a projetos considerados fundamentais para o crescimento de cada integrante dos Brics. Os termos desses tratados de cooperação foram assinados entre o presidente Lula, o presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, o presidente da China, Hu Jintao, e o primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh. O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, previu que, em poucos meses, será possível ter operações conjuntas.
Diretamente com a China, o Brasil assinou um mega-acordo de intenções que abrange 11 áreas consideradas prioritárias para os dois países. O Plano de Ação Conjunta, apelidado de “PAC Brasil-China”, reafirma estratégias mútuas na diversificação e na promoção comercial, traz promessas de novos investimentos e elege como setores-alvo infraestrutura, energia, mineração, agricultura, bioenergia, indústria, petróleo e gás. As parcerias e os termos de cooperação vão de 2010 a 2014.
Em seu discurso, o presidente da China, Hu Jintao, enfatizou o papel dos países emergentes e propôs o fortalecimento das relações com o Brasil como forma de consolidar os Brics. Hu Jintao enumerou os interesses de seu país como os que estão situados na agricultura, na infraestrutura e nas minas e energia. Hu Jintao destacou a importância de ampliar a cooperação financeira entre os países, elogiou o debate global em torno das propostas de reforma das instituições multilaterais e ressaltou a necessidade de o mundo tratar a questão ambiental sem falsas promessas.
(*) Colaborou Janaína Silveira
Fonte: Jornal A Tribuna