Quero parabenizá-lo, pela matéria publicada no dia 19/12/2008, sob o título “O Extrativismo Florestal no Acre está falido”.
Parabenizo também a Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri, porque como nós, ela também é conhecedora da causa.
Quando Presidente da Cila, incentivamos a bacia leiteira de Xapuri e Diretor da Colonacre, conhecemos muito bem a luta do homem da floresta para sobreviver com as mínimas condições de vida com dignidade.
Aqui no Juruá não é diferente, há quinze anos retornei para a minha região. É triste receber no meu escritório de Advocacia o lamento do homem da floresta, este, que antes era o guardião da floresta, o heróico soldado da borracha, agora por imposição da chamada Lei da vida que mal aplicada e interpretada, está esquecendo que o elemento mais importante do ecossistema é o homem. É lamentável que o IBAMA não se preocupe com a educação e a preservação do seu elemento mais importante, preocupando-se mais com a arrecadação através de multas absurdas. Muitos trabalhadores, pequenos agricultores estão abandonando suas propriedades e se transformando em mulas de traficantes peruanos. Isto porque o Estado Brasileiro proíbe queimar o roçado, derrubar uma árvore para fazer uma porteira ou seu chiqueiro, caçar nem pensar. Neste caso, houve um alívio, graças à intervenção de uma das poucas vozes de uma Deputada que nasceu e viveu a vida sofrida do seringal, não fosse a intervenção da Deputada Perpétua Almeida, o seringueiro não teria direito nem a uma arma e munição para se defender das feras silvestres ou mesmo da invasão de traficantes estrangeiros, que já mataram vários brasileiros nas regiões do Rio Juruá-Mirim e mesmo no Alto Juruá e seus afluentes.
Altino, concordo com as opiniões da Presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Xapuri, pois conheci muito bem as idéias do Chico Mendes, que tenho certeza, se vivo fosse, morreria de vergonha e desgosto.
A voz desta Presidente e do General Augusto Heleno, não deve se calar, pois a Amazônia é nossa, temos que preservar e ocupar o nosso espaço com condições de sobrevivência com dignidade.
A hipocrisia de alguns políticos e a prática do IBAMA que diz defender a Lei da Vida na prática defende outros interesses, viva a lei, morra o homem da Amazônia, esta é a meta.
Recentemente o noticiário nacional veiculou notícia do cidadão que fora processado porque feriu uma cobra em legítima defesa, quando foi atacado pela faminta réptil. Aqui no Juruá, mais precisamente na curva do Aurora no Rio Moa um jacaré-açú já comeu várias pessoas, sua última vítima, um jovem adolescente que foi encontrado parte de seu corpo na praia ao lado do monstro, que não foi abatido pelo pai da vítima, que emocionado aceitou o argumento do policial que participou da busca do corpo que lhe disse: “perdestes o teu filho, se matares a fera vais perder tua liberdade”, e , calado o pai do jovem ajudou a pegar os restos mortais de seu filho. Viva a lei, morra o homem da floresta. Confirmando-se assim a nossa tese, o homem do Juruá tem menos valor que um tracajá, jacaré ou um pé de patoá.
Recentemente uma reportagem sobre drogas, transmitida pela Rádio Juruá, comprovou em vários depoimentos que os traficantes peruanos estão recrutando até crianças para o tráfico de drogas, e, o principal argumento que fazem aos pobres “hermanos” é que no Brasil se for preso tem café, almoço e janta não paga aluguel, tem direito a banho de sol, visita íntima, e sua família ainda recebe auxilio reclusão. Conclusão, o Estado Brasileiro e a Lei da Vida, estão induzindo o homem da floresta, os heróicos soldados da borracha, os guardiões das fronteiras à criminalidade. Está certo isto?
Autor:
Dr. Heleno Farias
Advogado – Vice-Presidente da OAB – AC – Seccional do Juruá