Isnailda Gondim*
Em tempos de quarentena, o risco do crescimento de violência doméstica é iminente. Por mais que seja uma medida eficaz que evita a propagação do vírus COVID-19 entre pessoas saudáveis e contaminadas, um dos efeitos negativos é o aumento de violência contra as mulheres.
Considerada a segunda maior potência do mundo, na China foi constatado o aumento exponencial do número de divórcios e violência contra a mulher, segundo algumas ONGs ligadas ao tema. Desde 2016 foi implementada legislação chinesa, bastante restritiva em relação a violência doméstica. A hashtag #antiviolênciadomésticanaepidemia #疫期反家暴# foi criada e espalhou-se nas redes sociais, criando uma onda de solidariedade.
Há uma necessidade de vigilância redobrada e apelo maior ao policiamento. Não bastasse as barreiras que a mulher enfrenta para sair do ciclo da violência e denunciar, com a pandemia COVID-19, muitas passarão mais tempo com seu algoz e o fato de estarem de quarentena aumenta o medo de saírem de casa para denunciar.
Katie Ray-Jones, CEO da Linha de Apoio americana, disse ao jornal USA Today que há cada vez mais preocupação com “pessoas que estão a ser isoladas para além do necessário. Muitas das estratégias diárias para sobreviver a uma relação abusiva – o trabalho, a rede de amigos e sistemas de suporte – esvanecem”.
No documento elaborado pela ONU Mulheres que foca nas mulheres da América Latina e do Caribe, o alerta é para o aumento dos riscos (crescimento de tensões) de violência contra mulheres e meninas devido ao isolamento social, medida necessária para contenção da COVID-19.
A redução da atividade econômica afeta diretamente trabalhadoras informais, domésticas, autônomas, agricultoras e pequenas empresárias, que perdem seus meios de sustento paulatinamente ou por vezes de imediato.
Em nosso estado, a migração irregular de mulheres e meninas gera mais riscos de proteção associados, como violência de gênero e tráfico, devido à restrição de viagens externas e internas, dificuldades de emprego, acesso ao sistema de saúde e documentação.
Há uma série de recomendações que podem minimizar este efeito da pandemia no tocante às mulheres que sempre estão na linha de frente da resposta e assumem riscos físicos e emocionais diante da responsabilidade de cuidar de familiares doentes, crianças e pessoas idosas. São elas:
1. Promover consultas diretas com instituições, conselhos e organizações de mulheres;
2. Envolver as mulheres em todas as fases da resposta e nas tomadas de decisão locais, especialmente grupos de mulheres que estão recebendo o maior impacto das crises;
3. Garantir que as necessidades imediatas das mulheres que trabalham no setor da saúde sejam atendidas;
4. Garantir a continuidade dos serviços essenciais para responder à violência contra mulheres e meninas;
5. Promover estratégias específicas para o empoderamento e recuperação econômica das mulheres, considerando programas de transferência de renda;
6. Criar canais de atendimento e redes de acesso em casos de violência doméstica ou familiar, com atendimento psicológico, afim de evitar o deslocamento desnecessário, exceto nos casos de urgência.
Vamos ser empáticos em tempos de pandemia e isolamento, praticar a SORORIDADE com mulheres, meninas e idosas, as mais vulneráveis.
Tenha à mão os números de denúncia, memorize, ou se isso não for seguro tente decorar:
Polícia Militar: 190
Disque Denúncia: 180 e 181
App Botão da Vida para os casos de descumprimento de medida protetiva de urgência.
Delegacia de Atendimento Especializado à Mulher (DEAM) – Via Chico Mendes, 803 até as 18h. Após 18h as medidas serão feitas pela DEFLA, localizada a Rua Osmar Sabino, 631 – Estação Experimental.
Fontes:
https://www.dn.pt/pais/covid-19-quando-a-quarentena-e-ficar-com-um-agressor-11950326.html
http://www.onumulheres.org.br/wp-content/uploads/2020/03/ONU-MULHERES-COVID19_LAC.pdf Acesso em 19.03.2020.
*Isnailda de Souza da Silva Gondim
Presidente da Comissão da Mulher Advogada OAB/AC, especialista em Direitos da Mulher e diretora na Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Regional (Sedur).
