CRÔNICA – O dia que lembrei o que era ser criança

Alguns carros começaram a chegar em um posto de gasolina no alto dum morro, na frente de uma igreja. Cada um carregava um ou dois personagens que fizeram parte da infância de crianças que hoje têm 30 ou 40 anos de idade, já outros encantam a atual geração: Elsa (Frozen), Fiona (Shrek), Emília (Sítio do Picapau Amarelo), Kiko e Chiquinha (Chaves) carregavam presentes em suas carruagens, mas também havia dúvida e frio na barriga pelo que os esperava a alguns quilômetros dali.

Mundo encantado da OAB/AC

A estrada, esburacada e estreita, exigia atenção, 19 km separavam o ponto de encontro do destino final. O primeiro carro deu seta para a esquerda, era sinal de que estavam perto. Mais à frente uma entrada à direita e a música infantil já invadia o interior dos veículos. As vozes agudas de quem já estava se divertindo muito começou a entrar nos corações do grupo.

Miniaturas de gente, curiosas, olhavam de dentro da Escola Rural Luíza de Lima Cadaxo – Polo Agroflorestal Hélio Pimenta, zona rural de Rio Branco – aquele grupo cheio de magia. Sem previsão alguma as pernas da Elsa e Cia começaram a sentir muitas mãos e muitos braços. A cintura era o máximo que 130 crianças conseguiam chegar, mas não faltava insistência para buscar um abraço e um beijo.

O diretor

Com alegria e entusiasmo um jovem animava a festa. Pulava e brincava junto com as crianças, sua liderança era perceptível. Os pequenos se aproximavam e o chamavam atenção: “diretor, olha ali”, “diretor, vem com a gente”. Não tinha cara de diretor, afinal, mas no final, diretor tem cara? O jovem professor Izaqueu de Oliveira foi alfabetizado naquela escola, fez o ensino infantil aos cuidados daquele que foi o primeiro diretor da instituição e hoje é o seu coordenador pedagógico, João Silva.

Homens simples e mulheres ainda mais simples e sorridentes, as dançantes professoras. Os olhos das crianças, que brilhavam com os personagens, também eram atentos aos comandos das “tias”. Não havia espaço para solidão e nem tristeza, tudo era mágico naquele pequeno mundo da fantasia.

A despedida

Após contarem histórias, dançarem, fazerem pinturas nos rostos e nas mãos daqueles serumaninhos, foi hora de chegar ao fim do conto de fadas. Na despedida a entrega de brinquedos marcou algumas vidas, muitas crianças nunca haviam recebido um presente, as meninas, em especial, não sabiam a alegria de ter uma boneca. Bem, agora sabiam.

Algumas lágrimas, muitos abraços e outro tanto de sorrisos anunciavam a despedida. Aos que ficavam, os agradecimentos, aos que partiam, os exemplos de quem com pouco faz milagres pela educação básica. A certeza daquele grupo fantástico é que naquela chuvosa manhã de uma sexta-feira de outubro, centenas de crianças sonharam e tiveram mais um motivo para voltar ao único lugar que os permitia acreditar em dias melhores.

 

Crônica de Paulo Santiago, assessor de imprensa da OAB/AC

 

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