Thalles Vinícius Sales*
No último domingo, dia 11 de agosto, foi o Dia do Advogado. Coincidentemente, em 2019, o Dia do Advogado foi comemorado no mesmo dia em que celebramos o Dia dos Pais, que no Brasil é festejado no segundo domingo deste mês.
A escolha da data do Dia do Advogado se deve ao dia em que foram instituídas as duas primeiras faculdades de Direito do Brasil, em 11 de agosto de 1827, quais sejam: a Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em São Paulo, e a Faculdade de Direito de Olinda, em Pernambuco (que foi transferida para a cidade de Recife no ano de 1854).
Sinceramente, depois de quase uma década navegando nos mares dessa profissão tão árdua, hoje não sinto a mínima vontade de comemorar. Eu amo o que faço, como já disse diversas vezes neste espaço. Mas o preço que se paga é muito, muito grande.
Como eu também já falei por aqui, em outubro do ano passado o Conselho Federal da OAB lançou a “Cartilha da Saúde Mental da Advocacia”, com o objetivo de orientar e debater acerca da saúde mental dos advogados e advogadas do Brasil. Dos colegas que foram entrevistados antes da confecção da cartilha, 28% estavam sofrendo com algum grau de depressão, 23% com estresse, e 19% com ansiedade.
Quais as razões para isso? Frescura por parte dos advogados? Sensibilidade exacerbada? Mimimi? Obviamente, não.
Estamos doentes por trabalharmos demasiadamente, ultrapassando, e muito, o que chamam de “horário comercial”, já que chegamos cedo em nossos escritórios e muitas vezes o deixamos já tarde da noite.
Estamos doentes por ver os processos se arrastarem a passos de tartaruga, em razão de um Poder Judiciário altamente ineficiente. Estamos doentes por não sermos recebidos por alguns juízes, ou por sermos recebidos de qualquer jeito, no balcão das varas, como se estivessem nos fazendo um favor. Estamos doentes por sermos tratados com desdém por alguns membros do Ministério Público, como se fôssemos uma classe inferior a eles.
Estamos doentes por chegar nas delegacias e presídios e ter que esperar por horas para conversar com os nossos clientes (isso quando conseguimos). Estamos doentes por não ter acesso a alguns inquéritos e procedimentos administrativos, mesmo com procuração.
Estamos doentes por ver como alguns veículos de comunicação tentam criminalizar a atividade da advocacia, induzindo a opinião pública a acreditar que advogado que defende alguém que comete crime também é criminoso.
Estamos doentes por presenciar o Presidente Nacional da Ordem dos Advogados do Brasil defender que um advogado não tenha o seu sigilo profissional violado (o que é previsto em lei federal) e por isso ser chamado, por militantes políticos, de comunista/esquerdista/e outras coisas terminadas em “ista” (embora eu não entenda, com a limitação intelectual que possuo, o que uma coisa tem a ver com a outra).
Estamos doentes por conta dessas coisas, e por conta de diversas outras, que não vou nem mencionar porque não quero levar carão da minha mãe e da minha namorada, as quais dizem que “arengo” muito.
Então, amigos e amigas, quem está doente não tem clima para comemorar. Mesmo assim, desejo um Feliz dia do Advogado a todos os advogados e advogadas! Que a esperança de dias melhores continue nos movendo, que jamais deixemos de lado as nossas prerrogativas, e que nunca esqueçamos que sem a advocacia NÃO EXISTE JUSTIÇA!
Thalles Vinícius Sales é advogado e presidente da Comissão de Defesa, Assistência e Prerrogativas da OAB/AC.
